A Ilha dos Amores, estrofe 83 do Canto IX – Os Lusíadas
Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
Assim, claro que deves pôr a Ilha dos Amores. PT -> Comunicações -> Pessoas -> Sociabilidade -> Sexo.
Parece-me que acrescenta valor a esse relatório!
Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar.
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Sophia de Mello Breyner
Porque vimos do Oceano, desde a evolução primordial. Porque para lá vamos, mais cedo ou mais tarde (eu gostava de ser o mais cedo possível, sendo cremado e lá depositado assim que desta me for).
Porque ainda temos vestígios de quando no mar vivíamos ;)
Porque o fascínio é incontornável! Porque, desse por onde desse, tínhamos que mergulhar! Porque o Oceano é o meu Deus! Porque foi o primeiro banho do ano e foi memorável!
Obrigado às meninas do pelouro ADPC pela apresentação, pela actividade e pelo final do dia! Parabéns!
PS – Fui recentemente ao Oceanário. Já não o visitava desde 98. O melhor de tudo aquilo, do que os peixes a nadar e as lontras a rebolar, são mesmo os poemas de Sophia de Mello Breyner, nos recantos com banquinho com vista para o tanque central onde passam tubarões, atuns, peixes-lua,… Ninguém escreveu o mar como ela!
Dada a ausência de respostas, a terminação que se impõe:
Ó mar, ó mar,
Ó mar, ó mar!!!
Tens sal?
Olha o Adamastor…
Glu glu glu,…
Glu, glu, glu… Coisa nenhuma!
Aqui ao leme vai António Veloso,
Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou uma ideia que se constrói!
Sou tu e eu! Sou eu e tu! Sou mais!
Sou um inovador, sou um sonhador…
Nada me vai demover, nada me vai parar!
Quero ir mais à frente, não vou deixar de sonhar!
Sou um inconformado, quero todo o mundo,
Vou divagando, desejo o mais profundo…
E qual pinheiro que se fez mastro,
Quero a ideia etérea mais definida,
Qual Pedro e Inês de Castro
A Paixão! A Loucura! A Vida!
Quero mais! Quero tudo!
Mas bem regado por boémia,
Por um certo perfume desnudo!
E aqui vou eu. Quem me vê? Quem me teme?
Tenho em mim todos os sonhos do mundo!
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De 39 Trainees empedernidos,
É com cada um, é quem mais geme!
Não vão lá nem com comprimidos!
É só uma quadra, por amor de Deus!
Um verso, uma frase, uma palavra
Um pequeno esforço, apócrifos ateus
A sonharem com o lugar do Zeinal Bava!
Talvez uma onomatopeia, um som, dois ruídos,
Escrevam a primeira coisa que sair
De que adianta envergonhados pruridos,
Cuidados distantes, deixar-se fugir!
Quem não escreve assim, fortemente
Com tão previsível ausência!
Não se vêem! Não se lêem!
Não são Trainees, certamente,
São a fonte da minha indulgência!
Até amanhã!
Acho que a outra ideia não deve ser agora posta de parte. Dez pessoas já entregaram poemas. Eu perdi algum tempo a pensar e a escolher precisamente o poema que acho que mais se adequa ao António. Mas, para além dessa, podemos criar um poema conjunto. Podíamos aproveitar esta, então. Aqui vai um ensaio:
Ó mar, ó mar,
Ó mar, ó mar!!!
Tens sal?
Olha o Adamastor…
Glu glu glu,…
Glu, glu, glu… Coisa nenhuma!
Aqui ao leme vai António Veloso,
Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou uma ideia que se constrói!
Sou tu e eu! Sou eu e tu! Sou mais!
Sou um inovador, sou um sonhador…
Nada me vai demover, nada me vai parar!
Quero ir mais à frente, não vou deixar de sonhar!
Sou um inconformado, quero todo o mundo,
Vou divagando, desejo o mais profundo…
E qual pinheiro que se fez mastro,
Quero a ideia etérea mais definida,
Qual Pedro e Inês de Castro
A Paixão! A Loucura! A Vida!
Quero mais! Quero tudo!
Mas bem regado por boémia,
Por um certo perfume desnudo!
E aqui vou eu. Quem me vê? Quem me teme?
Tenho em mim todos os sonhos do mundo!
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De 39 Trainees empedernidos…
(quem continua?)
Ó mar, ó mar,
Ó mar, ó mar!!!
Olha o Adamastor…
Glu glu glu,…
Glu, glu, glu… Coisa nenhuma!
Aqui ao leme vai Jorge Rosa,
Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu!
E qual filme que esteja a montar
Nada me demove do objectivo a chegar!
Nada me pára, tudo me teme
Uso a claquete até ao fim do mundo
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!
CHUVA OBLÍQUA (I)
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas o meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvores, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
Fernando Pessoa
Caro António,
Escolhi este poema pois é o exemplo mais significativo do Interseccionismo, uma "demonstração brilhante de inteligência estética e de capacidade inovadora", vinda do movimento futurista e aplicada à poesia do Modernismo, onde se cruzam a paisagem presente e ausente, o actual e o pretérito, o real e o onírico. Porquê? Por ti. És um sonhador. Também interseccionas a realidade com o sonho, diariamente, sem desistir. E és um inovador e tentas transformar-te em função dessa visão de sonho, visão, inovação. E isso é o que interessa no final do dia. E esse é o caminho a trilhar. E, como as boas mentes criativas e sonhadoras, és também um boémio e um bom amigo. E essa é a vida a viver:
«Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.»
(Alberto Caeiro)
"Tenho em mim todos os sonhos do mundo."
(Álvaro de Campos)
Nunca te esqueças deles! Não os percas!
Ricardo Pais de Oliveira
Não sei se repararam. O nosso presidente cita Fernando Pessoa na mensagem aos colaboradores da PT.
http://ept.telecom.pt/PTIntranetSGPS/Can
“Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor”.
Sinto-me orgulhoso e mais motivado que nunca. E aquela mensagem está simplesmente excelente!
Já agora, aqui fica este verdadeiro “Hino Nacional”:
Mensagem, Mar Portuguez
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Atentamente,